Que estranho seria vê-lo outra vez!, Meg pensava consigo enquanto observava os recém-chegados, debruçada no mezanino. Mais estranho ainda, seguia ela a pensar, era o fato de estar tão plenamente calma – não havia mais a recorrente irregularidade em sua respiração, não mais torcia as mãos em nervosismo – a observar atenta a entrada, esperando avistar o rosto conhecido.
Seria um rosto retangular, de traços marcantes e ar mediterrâneo. Lembrava-se bem daquele rosto; do nariz romano que trazia os espólios de um antigo acidente, das sobrancelhas retas e do vinco entre ela s, dos lábios que traçavam um arco severo em seu rosto e das linhas de expressão que os ladeavam, dos olhos escuros que se revelavam verde-ágata quando à luz. Guardava com carinho a visão de uma pequena cicatriz a alguns centímetros abaixo do olho esquerdo, de outra sob o queixo e de todas as pequenas imperfeições e cicatrizes que faziam daquele rosto – e daquele homem – quem ele era.
Meg não pode evitar um momento de hesitação ao avistá-lo no vestíbulo. Ele havia retribuído seu olhar assim que atravessara o umbral da porta, mas havia em sua expressão certo desconforto que ela não foi capaz de decifrar. Ele subiu as escadas lentamente, como se procrastinasse dirigir-lhe a palavra. Meg receou que o tempo houvesse aumentado irreversivelmente a distância entre eles. A despeito disso tentou sorrir.
- Mr. Rowe! – Ela recebeu-o com alegria genuína, cuja efusão esforçou-se em conter. Fez menção de estender-lhe a mão em cumprimento, mas antes que o fizesse ele já fazia uma vênia em resposta.
- Miss Hamilton. – Sua voz soou mais solene do que Meg teria achado necessário.
- Oh. – Fez ela abatida. – Achei que o tempo teria amenizado nossas antigas desavenças.
- Não foi pequena a ofensa que me fez, Miss Hamilton, e confio que esteja ciente disso.
- Se o senhor apenas soubesse o quanto eu sinto. – A expressão impassível de Mr. Rowe exaltou-a. Ela ousou diminuir em um passo a distância entre eles, mas a ação não extraiu qualquer reação do outro.
- Se o sente, Miss Hamilton, é em conseqüência da minha frieza. Se eu lhe fosse tão agradável quanto antes do incidente em questão, sequer se lembraria do que fez.
- Como é possível que me conheça tão pouco? – Meg pareceu tê-lo ofendido, o que não parecia um sentimento muito promissor para o momento.
O silêncio instaurou-se entre eles. Ouvia-se o quarteto de cordas a embalar uma dança, o riso dos jovens, os passos contra o mármore e as palmas; mas entre eles tudo o que havia era silêncio. Como ela teria desejado que viesse dele uma palavra gentil naquele reencontro; ela, que guardara a lembrança de seu rosto com tanto carinho. Inclusive desenhara-o diversas vezes, brincando com suas expressões que antes possuíam um alcance tão grande, mas que agora se limitavam a uma passividade gélida. Se apenas houvesse uma maneira de fazê-lo saber!
“Não é por consideração ou polidez que me arrependo, Mr. Rowe.” Teria dito Meg se fosse capaz de tal discurso. “As raízes do meu arrependimento são quase inteiramente egoístas. Eu jamais teria imaginado que o perderia por um erro tolo de julgamento. Há muito venho desejado poder voltar atrás.” Mas Meg parecia sentir que jamais seria, portanto esta declaração jamais haveria de ser dita em voz alta, embora, no silêncio, ela a repetisse com afinco em sua mente.
Pareciam claras as posições de cada um. A defensiva de Mr. Rowe perdurava, e a receptividade de Meg parecia estar fadada a ser ignorada. Fitou as próprias mãos – estavam juntas em frente ao corpo – e então buscou com os olhos as dele, mas ele as havia escondido às costas. Pareciam predestinadas a jamais se tocarem.
Foi divertidíssimo participar do 2º Desafio. Como eu e o Will chegamos à conclusão enquanto tirávamos as fotos, eles nos ajudam a descobrir as possibilidades das nossas próprias histórias e ganhar XP na skill da escrita com essas experimentações – aliás, um super thanks ao Will por ser, para variar, meu personal photografer, e ao Andy, amigo do Will, por aparecer e se dispor a servir como modelo de mãos.
nossa, gostei tanto do texto, essas tuas personagens femininas (a meg) escondem tesouros dentro de si, e as fotos nos fizeram entreve-los um pouco mais!
e lindas fotos!
As fotos ficaram realmente lindas, eu já comentei. Achei muito legal, e estou ansiosa por todos – até por mim. AUSHAUHS
E, cara, quem é ele? :OO Conte-nos mais sobre o Mr. Rowe! Simpatizei com a Meg também. Esses desafios só nos fazem querer mais.