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	<title>Writer&#039;s Block</title>
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	<description>&#34;Escrever é deixar uma marca. É impor ao papel em branco um sinal permanente, é capturar um instante em forma de palavra.&#34;</description>
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		<title>&#8220;This is Halloween, this is Halloween.&#8221;</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Dec 2011 20:10:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jess</dc:creator>
				<category><![CDATA[Textos]]></category>

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		<description><![CDATA[Não, não é Halloween, é quase Natal, e ainda que eu não comemore o que a maioria julga verdade, gosto da beleza decorativa dessa época e do espírito que &#8211; mesmo quando ilusório &#8211; se manifesta nas pessoas.  Acho que cantar &#8220;This is Halloween&#8221; torna tudo ainda mais gracioso, não? Natal continua sendo Natal, mas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify">
<p style="text-align: justify">Não, não é Halloween, é quase Natal, e ainda que eu não comemore o que a maioria julga verdade, gosto da beleza decorativa dessa época e do espírito que &#8211; mesmo quando ilusório &#8211; se manifesta nas pessoas.  Acho que cantar &#8220;This is Halloween&#8221; torna tudo ainda mais gracioso, não? Natal continua sendo Natal, mas não necessariamente. Eis aí uma coisa que descreve bem o meu processo criativo: essa reinterpretação dos eventos, sejam eles externos ou internos.</p>
<p style="text-align: justify">Esse ano foi sem dúvidas um dos anos mais transformadores da minha vida. Eu fiz inúmeras viagens, conheci os lugares que mais amo no mundo (minha velha Londres) e, sem perceber &#8211; ou não -, vivi experiências únicas que, direta ou indiretamente, mudaram minha visão de mundo. De modo decisivo, minha atual área de estudo entrou no campo da escrita e, sob uma perspectiva diferente, ambas se fundiram.</p>
<p style="text-align: justify">O WB me deu a oportunidade de conceber novos personagens (de forma mais crua e realista), não apenas destrancando certos bloqueios, mas abrindo áreas totalmente inexploradas. Tudo isso é muito mágico. Certa vez ouvi dizer que não devemos transformar os sonhos em realidade, mas a realidade em sonhos. Isso faz sentido, não? Às vezes corremos atrás do vento sem perceber que nem sempre precisamos alcançá-lo, sem saber que para senti-lo basta fechar os olhos. Muito do que eu busco ainda vive adormecido dentro de mim, mas nós já começamos a despertar.</p>
<p style="text-align: justify">Para fechar esse ano, escolhi um relato sobre um personagem muito especial, que nasceu através, mas não exatamente para o WB. Vocês lembram quando eu disse que escrevia por causa de uma necessidade? Então, esse personagem surgiu de forma simples e descompromissada, mas por ter sido extremamente necessário, jamais se contentou em sê-lo. Bem, as coisas quase nunca acontecem como planejamos &#8211; quando começamos a escrever sobre elas -, pelo menos não para mim, mas estou muito feliz que sejam assim. De uma forma ou de outra, o objetivo de tudo isso se cumpriu.</p>
<p style="text-align: center">- &#8211; -</p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #333333">&#8220;Ele possuía olhos azuis profundos, ainda que, para mim, fossem superficiais como uma cova recém-criada. Dwyatt gostava de se esconder sob uma falsa imagem de irreverência e ingenuidade, mas vivia &#8211; e sofria &#8211; por não conseguir evitar a si mesmo. Ele era na maior parte do tempo introspectivo e inseguro, e acabava quase sempre frustrado por não esquecer-se de ser assim.<br />
O que eu fazia era bem simples: davá-lhe condições para ser quem era, sem máscaras, permitindo-lhe abdicar da opressão, ser completo, ao mesmo tempo em que lhe prestava suporte contra suas angústias, fazendo-o sentir-se melhor &#8211; consigo &#8211; e protegido &#8211; por mim. Dwyatt nunca se sentiria mal ao meu lado &#8211; e pediria por mais.<br />
Você se faz sujeito, pervete-se por pessoas e por relacionamentos porque, como drogas, ambos o ludibriam com a temporária sensação de que é alguém melhor &#8211; fazem-no melhor. Pessoas também são orgânicas e causam reações químicas &#8211; também podem matá-lo como em uma overdose. Eu me viciei em viciá-lo em mim. Éramos dependentes &#8211; como a droga e o seu usuário.</span></p>
<p style="text-align: right"><span style="color: #333333">C.&#8221;</span></p>
<p style="text-align: right"><span style="color: #808080"><em><br />
</em></span></p>
<p><em><span style="color: #808080">&#8220;Às vezes, antes de levantar, eu me flagrava pensando em nós e na relação que mantínhamos. Éramos um conjunto de mestre e obra-prima. Dependentes.&#8221; </span></em><span style="color: #808080">D.</span><em><br />
</em></p>
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		<title>Apoie-se em mim.</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Dec 2011 01:37:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jade Arbo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Textos]]></category>

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		<description><![CDATA[- Eu não acho que eu vá conseguir. - Apoie-se em mim, Meg, e tudo correrá bem. Estavam ambos parados do outro lado da rua, onde a luz ostensiva da mansão não os alcançava. Daquele lugar, viam-se casais dançando no segundo andar, cavalheiros discutindo no primeiro, convidados sendo anunciados no térreo, em cenas emolduradas pelo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>- Eu não acho que eu vá conseguir.<br />
- Apoie-se em mim, Meg, e tudo correrá bem.<br />
Estavam ambos parados do outro lado da rua, onde a luz ostensiva da mansão não os alcançava. Daquele lugar, viam-se casais dançando no segundo andar, cavalheiros discutindo no primeiro, convidados sendo anunciados no térreo, em cenas emolduradas pelo ébano das janelas.<br />
Na escuridão onde a carruagem os havia deixado, aquela jovem moça e aquele senhor de idade partilhavam um instante precioso de silêncio. No que Meg apertou-lhe o braço, Mr. Dixon soube que ela antevia os rostos curiosos, as expressões de condescendência e piedade, a atenção, o burburinho. O ar escapou trêmulo pelos lábios dela, e ele tocou a mão que repousava em seu pulso.<br />
	- Minha querida, &#8211; ele iniciou – o que posso dizer para dar-lhe coragem? Você terá de lidar com isso eventualmente.<br />
	Mr. Dixon voltou seu rosto para ela, mas Meg mantinha os olhos fixos nos reflexos alaranjados da luz sobre o paralelepípedo úmido.<br />
- Eu preferiria que fosse eventualmente, e não agora. Não quero ter de explicar por que não aceito convites para dançar, ou por que não exponho minha figura com lentas e elegantes caminhadas pelo cômodo. – Ela sorriu com amargura.<br />
- E você seguirá achando a tarefa tão penosa quanto agora se desistir. Veja – ele tomou-lhe a outra mão e virou-a para si. Seu rosto de rugas severas nunca parecera tão suave – eu sei o que é protelar tomar decisões realmente importantes, e sei o que isso é capaz de fazer conosco. </p></blockquote>
<p>Há muitos motivos pelos quais eu escolhi esta cena em particular para definir este primeiro ano de WB. Ela traz dois personagens, Meg e Mr. Dixon, que sempre andaram juntos em minha mente, e descreve pontos cruciais da evolução de cada um – ele tentando dar serventia a todos os erros que traz em seu repertório, e ela tentando superar a trágica situação que as circunstâncias a impuseram.<br />
Neste ano, evolui bastante na construção dos meus personagens. Me vejo concebendo-os mais complexos, mais humanos, aprimorando os antigos e trabalhando nos novos. Embora eu não tenha conseguido escrever nem de longe o tanto que gostaria (e confesso que isso foi bastante frustrante), este foi certamente um ano de evolução, de planejamento e de autoconhecimento.<br />
Pretendo me permitir um breve recesso do Writer’s Block, do meu próprio blog, e de compartilhar o que escrevo. Preciso reanalisar certos aspectos da minha escrita, retomar o hábito de escrever diariamente, retomar a confiança que costumava ter quando o tempo era meu aliado.<br />
Sou grata pela companhia, pelo apoio e pelo aprendizado que vocês me proporcionaram, e prometo seguir sempre em frente rumo à conclusão da minha primeira história, ainda que se passem anos sem fim.</p>
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		<title>Um barco a zarpar.</title>
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		<pubDate>Fri, 02 Dec 2011 23:57:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nara</dc:creator>
				<category><![CDATA[Discussão]]></category>

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		<description><![CDATA[Aos que não me conhecem, eu sou a Nara e há mais ou menos um ano fui convidada pela Jade a participar do Writer&#8217;s Block. Senti-me honrada e já nas semanas seguintes, comecei a pensar no que viria a seguir, mas prevendo como seria meu 2011 conclui que nesse ano seria melhor se eu não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Aos que não me conhecem, eu sou a Nara e há mais ou menos um ano fui convidada pela Jade a participar do Writer&#8217;s Block. Senti-me honrada e já nas semanas seguintes, comecei a pensar no que viria a seguir, mas prevendo como seria meu 2011 conclui que nesse ano seria melhor se eu não me juntasse a vocês.</p>
<p>Ontem, véspera do aniversário, falava com a Jade quando ela disse que gostaria de ter um post meu aqui. Empolguei-me com a idéia e cá estou eu para falar da experiência que tive enquanto acompanhei vocês.</p>
<p><a href="http://writersblock.in-noctem.com/wp-content/uploads/2011/12/Ffloating_away_night.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-646" src="http://writersblock.in-noctem.com/wp-content/uploads/2011/12/Ffloating_away_night-208x300.jpg" alt="" width="208" height="300" /></a></p>
<p>Um ano se passou desde a criação do blog e eu ainda me lembro bem da sensação que tive ao ler as primeiras apresentações.  Foi como estar com um grupo de amigos que se prepara para embarcar numa viagem.  Desconhecíamos os mares que cruzaremos e as praias onde ancoraremos, sabíamos apenas que teremos companhia uns dos outros para seguirmos a jornada.</p>
<p>Nesse tempo que passou as velas do barco foram içadas, temos em mãos bússolas e astrolábios, e se antes não conhecíamos os planos de nossos companheiros de tripulação agora já podemos ver alguns mapas rascunhados.</p>
<p>Eu, meio escondida, acobertada pelo meu silêncio, tenho acompanhado cada progresso: o surgimento de personagens, descrições de cenários, planos para futuros capítulos e apesar de não ser oficialmente uma companheira de caneta (e teclado) tenho compartilhado vossos momentos de inspiração quando, vez ou outra, depois de ler algo aqui, arrisco-me a escrever um ou dois parágrafos. Por esses ocasionais parágrafos, agradeço-lhes imensamente pois se estão aqui, sabem bem a agonia que é enfrentar um bloqueio criativo, mas sabem também da satisfação que uns pequenos trechos podem trazer.</p>
<p>Confesso: sabendo que acompanharia meio de longe, jamais imaginei que essa experiência seria tão importante para o desenvolvimento de minha escrita quanto foi e tem sido!</p>
<p>Nesse aniversário, minha alegria é saber que já deixamos para trás o primeiro porto, enquanto meu desejo é que os ventos continuem a soprar vossas velas&#8230; e eu vou logo atrás, remando em meu pequeno bote.</p>
<p>Well done, sailors, well done!</p>
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		<title>Um ano de Writer&#8217;s Block!</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Dec 2011 02:07:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jade Arbo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Discussão]]></category>

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		<description><![CDATA[Meus mais adorados companheiros de caneta, É estranho me encontrar sem palavras para descrever uma experiência que está sendo tão decisiva na minha vida escrita. O Writer’s Block, bem como os que participam dele, estiveram comigo no decorrer deste ano conturbado, sempre me mantendo no rumo certo e sempre me fazendo ter ideias novas. Foi [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Meus mais adorados companheiros de caneta,</p>
<p>É estranho me encontrar sem palavras para descrever uma experiência que está sendo tão decisiva na minha vida escrita. O Writer’s Block, bem como os que participam dele, estiveram comigo no decorrer deste ano conturbado, sempre me mantendo no rumo certo e sempre me fazendo ter ideias novas.</p>
<p>Foi no WB que eu conheci novas perspectivas e novas possibilidades. Foi aqui, juntamente com vocês, que eu desenvolvi tramas e personagens, que perdi o medo de criar. Foi apenas conhecendo todos vocês e o imaginário de cada um, que percebi que a estrada da escrita não precisa ser solitária – que é, na verdade, bem mais divertida quando compartilhada.<br />
No dia 02 de Dezembro, o WB completará um ano de existência. Um ano desta caminhada que fizemos juntos. Seguimos devagar e sempre, mas, para nós, a pressa não é necessária. Nesse meio tempo em que talvez tenhamos escrito pouco, tenho certeza de que aprendemos, imaginamos, planejamos e vivemos muito.</p>
<p>Proponho que, nas próximas duas semanas, nós reservemos um tempinho para postar uma breve retrospectiva, acompanhada por um pequeno trecho de suas respectivas histórias, que represente a influência do WB na sua escrita. Gostaria de saber em que aspectos o WB impactou cada um e o que esperam para o projeto e para suas histórias neste ano vindouro.</p>
<p>Nesta véspera de comemorações, aproveito para agradecer a todos que permanecem fiéis a esta busca. Digo a estes que pouco importa se chegaremos ao nosso destino em dois anos ou vinte: o que importa mesmo é a jornada, e esta, para mim, está sendo incrível.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>[Desafio I] Fumaça</title>
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		<pubDate>Fri, 30 Sep 2011 22:01:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>William</dc:creator>
				<category><![CDATA[Desafios]]></category>

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		<description><![CDATA[Então gente, eu não morri. Só tava enrolando pra postar o desafio mesmo. Depois de escrever tudo em terceira pessoa e depois resolver trocar tudo pra primeira pessoa. Não to seguro quanto o meu skill em primeira pessoa. vai aí o texto pra vocês dizerem o que acham desse minha tentativa. A fumaça do cigarro [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Então gente, eu não morri. Só tava enrolando pra postar o desafio mesmo. Depois de escrever tudo em terceira pessoa e depois resolver trocar tudo pra primeira pessoa. Não to seguro quanto o meu skill em primeira pessoa. vai aí o texto pra vocês dizerem o que acham desse minha tentativa.</p>
<blockquote><p>A fumaça do cigarro se dissipava lentamente contra a noite escura. Há algum tempo que não fazia uma noite tão bonita e caminhar até em casa depois de assistir “Sonhos de uma noite de verão” pela terceira vez me fazia pensar. Coloquei a mão no bolso interno do casaco onde ficava sempre meu isqueiro e acabei encontrando um papel perdido ali. O recibo de um buque de flores datado de dois meses atrás. Uma enxurrada de lembranças correu dentro da minha cabeça como se alguém em algum lugar tivesse rompido uma represa. Não pude me conter em pegar o celular e escrever três simples palavras: “sinto sua falta”. Mas é melhor não enviar foi o pensamento que me ocorreu logo em seguida. E era melhor não enviar mesmo, sabe-se lá o que poderia acontecer do outro lado da linha. Fiquei admirando a fumaça do cigarro misturada com uma respiração profunda se dissipar a minha frente.  Dissipava-se como se dissipam alguns sentimentos e pra mim isso era cada vez mais claro. Lembrou da chama revolta que eram os cabelos dela e do puro verde dos olhos. Talvez ainda valesse a pena lutar por aquilo.<br />
Eu andava tão perdido nesses pensamentos que quando meu dei conta já estava à porta do bar que ficava logo abaixo do meu apartamento comprei mais uma carteira de cigarros e subi as escadas correndo. Tudo estava exatamente como eu tinha deixado o que na verdade era bem previsível já que ninguém freqüentava aquele apartamento além da empregada que vinha todas as quarta-feiras. A xícara de café vazia repousava do lado da maquina de escrever e o radio ainda marcava os três minutos e vinte e dois segundos onde a musica havia sido pausada. Apertei o play e ouvi a inconfundível voz da Janis Joplin cantando “you’re gonna spread your wings” . As vezes parece que a coincidência nos prega peças. Essa musica me lembrava uma tatuagem que talvez eu precisasse esquecer.<br />
Sentei à maquina de escrever pra escrever o artigo sobre a peça de teatro que tinha assistido e tentar me distrair desses pensamentos melancólicos. É verdade que o barulho das teclas da maquina me acalmava principalmente se somado ao cheiro de café que começava a vir da cozinha. Num ponto do texto eu já não sabia mais o que escrever sobre e peça e resolvi pegar uma xícara de café. Agora Janis cantava “piece of my heart” e me ocorreu que eu deveria trocar de cd ao invés de ouvir esse mesmo pela vigésima vez. Engoli o café e pausei a musica de novo. Precisava de ar puro. Peguei a velha jaqueta de couro coloquei o isqueiro no bolso interno e o primeiro chapéu que achei na cabeça.<br />
O bar estava quase vazio e enquanto o barman ia buscar o tal uísque acendi um cigarro e fiquei observando uma moça que estava sentada na mesa ao lado. Ela deve estar esperando alguém e a julgar pelo numero de vezes que ela olha o relógio ele deve estar atrasado. Então um taxi chegou para buscá-la. Mais uma que havia desistido. Meu olhar correu a rua vazia e se deteve na praça que ficava no fim da rua. De onde eu estava podia ver algumas arvores e um casal se beijando sob a luz de um poste. Era o suficiente pra mim virei o copo e pedi para o barman enche-lo novamente.  Enquanto isso liguei para o primeiro numero de taxi da agenda do celular. Virei o copo de uísque e subi as escadas correndo pra pegar mais dinheiro.<br />
No taxi uma voz doce de mulher cantava “It&#8217;s a quarter after one,I&#8217;m all alone and I need you now”. Fiz o taxista parar numa dessas lojas de conveniência pra comprar um bombom de chocolate branco. Enquanto o taxi andava pela cidade peguei a o recibo do buque de flores que havia guardado dentro da carteira e fiquei alguns minutos pensando sobre o que poderia escrever.<br />
Da calçada eu podia ver a janela do quarto dela. Sei que pode parecer meio doentio ficar olhando para uma janela, mas isso amenizava um turbilhão de coisas que corria na minha cabeça. O quarto dela ficava no segundo andar e eu podia ver as cortinas verdes voando pra fora da janela. Ela sempre dormia com a janela aberta mesmo. Uma luz se acendeu no quarto e por um momento pensei que teria que sair correndo dali, mas em seguida tudo voltou a ficar escuro. Um pesadelo talvez. Uma breve lembrança me fez querer estar lá dentro deitado na mesma cama pra simplesmente cuidar dela toda vez que um pesadelo viesse lhe atormentar o sono.<br />
Subi a escada que levava até a porta da casa e larguei no tapete de entrada o bombom com o bilhete no qual estava escrito “dessa vez não tinha nenhuma floricultura aberta. Sinto sua falta”. Pouco me importava o que ia acontecer em decorrência dos meus atos impensados, eu precisava dizer aquilo. Soprei a fumaça do cigarro contra o ar pesado da noite e peguei um táxi de volta pra casa.<br />
 O apartamento inteiro cheirava a café, mas eu preferi tentar dormir a deixar que meu cérebro pensasse no que eu tinha feito.</p></blockquote>
<p>Perdoem qualquer errinho&#8230; eu nem reli o texto antes de postar <img src='http://writersblock.in-noctem.com/wp-includes/images/smilies/icon_razz.gif' alt=':P' class='wp-smiley' /> </p>
]]></content:encoded>
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		<title>[Desafio II] Distância</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Sep 2011 13:13:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jade Arbo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Desafios]]></category>

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		<description><![CDATA[Que estranho seria vê-lo outra vez!, Meg pensava consigo enquanto observava os recém-chegados, debruçada no mezanino. Mais estranho ainda, seguia ela a pensar, era o fato de estar tão plenamente calma &#8211; não havia mais a recorrente irregularidade em sua respiração, não mais torcia as mãos em nervosismo – a observar atenta a entrada, esperando [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p><img class="aligncenter" src="http://i206.photobucket.com/albums/bb301/jade_arbo/2.png" alt="" width="451" height="300" />Que estranho seria vê-lo outra vez!, Meg pensava consigo enquanto observava os recém-chegados, debruçada no mezanino. Mais estranho ainda, seguia ela a pensar, era o fato de estar tão plenamente calma &#8211; não havia mais a recorrente irregularidade em sua respiração, não mais torcia as mãos em nervosismo – a observar atenta a entrada, esperando avistar o rosto conhecido.<br />
Seria um rosto retangular, de traços marcantes e ar mediterrâneo. Lembrava-se bem daquele rosto; do nariz romano que trazia os espólios de um antigo acidente, das sobrancelhas retas e do vinco entre ela s, dos lábios que traçavam um arco severo em seu rosto e das linhas de expressão que os ladeavam, dos olhos escuros que se revelavam verde-ágata quando à luz. Guardava com carinho a visão de uma pequena cicatriz a alguns centímetros abaixo do olho esquerdo, de outra sob o queixo e de todas as pequenas imperfeições e cicatrizes que faziam daquele rosto – e daquele homem – quem ele era.<br />
<img class="aligncenter" src="http://i206.photobucket.com/albums/bb301/jade_arbo/1.png" alt="" /><br />
Meg não pode evitar um momento de hesitação ao avistá-lo no vestíbulo. Ele havia retribuído seu olhar assim que atravessara o umbral da porta, mas havia em sua expressão certo desconforto que ela não foi capaz de decifrar.  Ele subiu as escadas lentamente, como se procrastinasse dirigir-lhe a palavra. Meg receou que o tempo houvesse aumentado irreversivelmente a distância entre eles. A despeito disso tentou sorrir.<br />
- Mr. Rowe! – Ela recebeu-o com alegria genuína, cuja efusão esforçou-se em conter. Fez menção de estender-lhe a mão em cumprimento, mas antes que o fizesse ele já fazia uma vênia em resposta.<br />
- Miss Hamilton. – Sua voz soou mais solene do que Meg teria achado necessário.<br />
- Oh. – Fez ela abatida. – Achei que o tempo teria amenizado nossas antigas desavenças.<br />
- Não foi pequena a ofensa que me fez, Miss Hamilton, e confio que esteja ciente disso.<br />
- Se o senhor apenas soubesse o quanto eu sinto. – A expressão impassível de Mr. Rowe exaltou-a. Ela ousou diminuir em um passo a distância entre eles, mas a ação não extraiu qualquer reação do outro.<br />
- Se o sente, Miss Hamilton, é em conseqüência da minha frieza. Se eu lhe fosse tão agradável quanto antes do incidente em questão, sequer se lembraria do que fez.<br />
- Como é possível que me conheça tão pouco?  &#8211; Meg pareceu tê-lo ofendido, o que não parecia um sentimento muito promissor para o momento.<br />
O silêncio instaurou-se entre eles. Ouvia-se o quarteto de cordas a embalar uma dança, o riso dos jovens, os passos contra o mármore e as palmas; mas entre eles tudo o que havia era silêncio. Como ela teria desejado que viesse dele uma palavra gentil naquele reencontro; ela, que guardara a lembrança de seu rosto com tanto carinho. Inclusive desenhara-o diversas vezes, brincando com suas expressões que antes possuíam um alcance tão grande, mas que agora se limitavam a uma passividade gélida. Se apenas houvesse uma maneira de fazê-lo saber!<br />
“Não é por consideração ou polidez que me arrependo, Mr. Rowe.” Teria dito Meg se fosse capaz de tal discurso. “As raízes do meu arrependimento são quase inteiramente egoístas. Eu jamais teria imaginado que o perderia por um erro tolo de julgamento. Há muito venho desejado poder voltar atrás.” Mas Meg parecia sentir que jamais seria, portanto esta declaração jamais haveria de ser dita em voz alta, embora, no silêncio, ela a repetisse com afinco em sua mente.<br />
Pareciam claras as posições de cada um. A defensiva de Mr. Rowe perdurava, e a receptividade de Meg parecia estar fadada a ser ignorada. Fitou as próprias mãos &#8211; estavam juntas em frente ao corpo – e então buscou com os olhos as dele, mas ele as havia escondido às costas. Pareciam predestinadas a jamais se tocarem.<br />
<img class="aligncenter" src="http://i206.photobucket.com/albums/bb301/jade_arbo/3.png" alt="" /></p></blockquote>
<p>Foi divertidíssimo participar do 2º Desafio. Como eu e o Will chegamos à conclusão enquanto tirávamos as fotos, eles nos ajudam a descobrir as possibilidades das nossas próprias histórias e ganhar XP na skill da escrita com essas experimentações &#8211; aliás, um super thanks ao Will por ser, para variar, meu personal photografer, e ao Andy, amigo do Will, por aparecer e se dispor a servir como modelo de mãos.</p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Someone has to die;</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Sep 2011 06:02:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Camila</dc:creator>
				<category><![CDATA[Dezembro]]></category>
		<category><![CDATA[Semana 4]]></category>

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		<description><![CDATA[Meu livro começou a se tecer há dois anos, creio eu. A história surgiu aos poucos, mas os personagens sempre foram muito mais fortes do que a minha vontade de que eles se calassem. Existe um filme que me fez confiar neles e me empenhar em fazer breves resumos sobre os capítulos e a dar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center">Meu livro começou a se tecer há dois anos, creio eu. A história surgiu aos poucos, mas os personagens sempre foram muito mais fortes do que a minha vontade de que eles se calassem. Existe um filme que me fez confiar neles e me empenhar em fazer breves resumos sobre os capítulos e a dar vida – e depois tirá-la – às criaturas que <strong>gritavam</strong> em minha cabeça, o filme se chama As Horas. Por isso decidi usar fotos dele ao longo desse post, que começa aqui:</p>
<p style="text-align: center"><img class="aligncenter" src="http://data.whicdn.com/images/5417743/tumblr_lc91efBqgz1qbgdbqo1_500_large.jpg" alt="" width="362" height="560" /></p>
<p style="text-align: center">Contrariando as letras do Panic! at the disco,  eu escrevo tragédias. Não garanto muito de lógica ou de seqüência temporal, não garanto muito de entendimento ou de sombras de interesse e brilhantismo. Eu sei – em algumas fagulhas de luz – um pouco do meu livro e da tragédia que se seguirá. Mas como lhes contar sem revelar que os olhos de Blossom são poços profundos de piedade e que as unhas de Alice, hoje em azul cerúleo, amanheceram quebradas? Como lhes contar que Mark sorriria mais vezes se seu irmão houvesse escolhido rosas brancas e frases menos afiadas? Minha história está nos detalhes. Assim como estão nos detalhes os motivos, as conseqüências e as consternações. Você entende, não é?</p>
<p style="text-align: center"><img class="aligncenter" src="http://data.whicdn.com/images/6011414/thehours3_large.jpg" alt="" width="400" height="268" /></p>
<p style="text-align: center">Virginia Woolf : “Someone has to die”.</p>
<p style="text-align: center">
<p style="text-align: center">Ele – o meu livro – poderia falar de um afogamento, uma mãe alcoólatra, duas filhas loucas e um caso de incesto. Mas eu gosto de crer que é mais profundo que isso: se você afundar as unhas nas entrelinhas, irá encontrar a beleza sutil que existe na decadência, a forma mansa e atraente com que o vício se envereda nas veias dos que já se entregaram; irá conhecer o efeito sôfrego de uma loucura particular – <strong>ou seria de um sonho público?</strong> Além das brasas fracas de mil incêndios e dos cigarros que sujaram tudo de cinza. Então, eu lhe direi, pela última vez: você só precisa se permitir.</p>
<p style="text-align: center">
<p style="text-align: center"><img class="aligncenter" src="http://data.whicdn.com/images/2749988/tumblr_l4mm9hydMy1qa0afko1_500_large.png" alt="" width="400" height="432" /></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Escreva o que você conhece?</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Sep 2011 23:47:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jade Arbo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Discussão]]></category>
		<category><![CDATA[Processo Criativo]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Escreva o que você conhece&#8221; &#8211; esse é sempre um conselho que me frustra. Escreva sobre o chão que você pisa, o céu que você olha, as pessoas com quem você fala e as ruas nas quais você anda. Escreva o que lhe é presente no dia-a-dia. Escreva o que você vive no aqui e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Escreva o que você conhece&#8221; &#8211; esse é sempre um conselho que me frustra. Escreva sobre o chão que você pisa, o céu que você olha, as pessoas com quem você fala e as ruas nas quais você anda. Escreva o que lhe é presente no dia-a-dia. Escreva o que você vive no aqui e no agora. Não, muito obrigada!<br />
Afinal, para mim, a escrita sempre foi uma forma de circunavegar a realidade e fazer dela o que eu bem quiser.</p>
<p>Eu diria a vocês, ao invés de &#8220;escreva o que você conhece&#8221;, &#8220;<strong>conheça </strong>o que você <strong>escreve</strong>&#8220;, pois apenas assim adquirimos a liberdade de transformar o que observamos no nosso dia-a-dia no que melhor nos aprouver. Seja um romance fantástico como o do Will, ou um romance histórico como o meu. Conhecendo o meio com o qual estamos trabalhando faz com que nos apossemos daquela determinada realidade e adquirimos a capacidade de projetar nela, por mais distante que seja da realidade na qual vivemos, as nossas impressões sobre o mundo.</p>
<p>Meu projeto atual (sob o título <em>super </em>provisório de &#8220;A Simple Life&#8221;) tem como cenário, como vocês bem sabem, um vilarejo chamado Templeton localizado na Inglaterra de 1868. Eu nunca estive na terra da rainha (embora pretenda e já esteja trabalhando nisso) e até que seja inventada uma máquina do tempo que nos leve até aquela época, o que seria muitíssimo bem-vindo, a Era Vitoriana não é algo que eu tenha presenciado. Esse desafortunado incidente do meu nascimento tardio &#8211; 143 anos mais tarde, precisamente &#8211; deveria me impedir de focar minha escrita naquela e sobre aquela época? Definitivamente não. Eu não preciso escrever o que eu conheço desde que eu conheça o que eu escrevo, portanto a pesquisa, meus caros, é parte essencial em qualquer processo criativo que não tenha como lugar a exata realidade de cada um.</p>
<p>De minha parte, ando me dedicando bastante a pesquisar e conhecer as minúcias daquele período, e é isso que venho compartilhar com vocês hoje.<br />
Fontes:<br />
Além da literatura da época e toda a sorte de produções de época da BBC, um pouco de material objetivo é necessário. Por três anos o livro 4º volume de História da Vida Privada tem sido uma como uma bíblia para mim.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://www.livrariascuritiba.com.br/Imagens%5CLivros%5CNormal%5CLV243541_N.jpg" alt="" width="200" height="288" /></p>
<p>Alimentei-me dele durante esse tempo, juntamente com vários documentários e ocasionais pesquisas na nossa adorada internet (nunca subestimem o poder de uma Wikipédia para esclarecer as coisas).<br />
Uma aquisição recente, mas que já se mostrou muitíssimo valiosa, foi &#8220;Victorian London&#8221; de Liza Picard.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://photo.goodreads.com/books/1179838057l/961462.jpg" alt="" width="196" height="300" /></p>
<p>Organizado de forma didática e objetiva, é uma fonte incrível de informação e um ótimo livro para se ter ao lado no caso de alguma dúvida surgir. Também consulto o ebook de &#8220;The Writer&#8217;s Guide to Everyday Life in  Regency and Victorian England from 1811-1901&#8243; de vez em quando.</p>
<p style="text-align: center;"><img src="http://covers.openlibrary.org/w/id/699151-L.jpg" alt="" width="196" height="285" /></p>
<p>E mais dois preciosos exemplares estão a caminho: <a href="http://www.amazon.com/gp/product/0671882368/ref=pd_lpo_k2_dp_sr_2?pf_rd_p=1278548962&amp;pf_rd_s=lpo-top-stripe-1&amp;pf_rd_t=201&amp;pf_rd_i=0898798124&amp;pf_rd_m=ATVPDKIKX0DER&amp;pf_rd_r=1YMZSKA4V9REGJ5NK4RB">What Jane Austen Ate and Charles Dickens Knew</a> e <a href="http://www.amazon.com/Book-Household-Management-Isabella-Beeton/dp/B004QZA1SG/ref=tmm_pap_title_0?ie=UTF8&amp;qid=1314995318&amp;sr=1-1">The Book of Household Management</a>, este segundo sendo uma fonte muito especial por ter sido escrita por Mrs Isabella Beeton, a guru das donas-de-casa do século XIX, hoje constantemente citada por historiadores nos estudos da vida doméstica vitoriana.</p>
<p>Estes livros vem sendo não só fontes de informação, mas também fontes de inspiração e de boas idéias. Nada dá tanta liberdade a quem escreve do que ter certo domínio sobre a realidade na qual vivem seus personagens, independente de ser ela a ele você vive ou não. A pesquisa, como já disse, deve ser parte importante de qualquer processo de escrita, seja necessária uma pesquisa pesada ou uma leve sondada em determinada realidade.</p>
<p>Para encerrar o post, deixo aqui algumas curiosidades aleatórias sobre a era vitoriana:<br />
• Os párocos anglicanos residiam em uma casa próxima à igreja e cedida pela instituição, chamada de presbitério ou reitoria (por isso o nome da rota para Templeton é &#8220;Estrada da Reitoria&#8221;).<br />
• Acreditava-se, antes das descobertas de Pasteur, na teoria do &#8220;miasma&#8221;, que dizia que doenças eram transmitidas por correntes poluídas e fétidas de &#8220;ar ruim&#8221;, e não por bactérias, vírus e etc.<br />
• £1, em 1868, equivalia a £43,79 de hoje.<br />
• À época, a considerada &#8220;classe alta&#8221; recebia de £1,000/ano para mais. A classe média poderia receber entre £1,000/ano a £300/ano. A classe operária recebia de £100/ano para menos.<br />
• Apenas a manutenção de uma carruagem (e tudo o que era necessário para o seu funcionamento: cavalos, cocheiro, etc) custaria, ao ano, cerca de £1,000.<br />
• Trens poderiam chegar a 88 milhas por hora, ou seja, 141.622km/h.<br />
• Era padrão para uma família com ganhos de £1,000/ano empregarem um total de seis criados.<br />
• A mulher casada deveria usar uma aliança, mas para o homem, era opcional. A esposa poderia optar por presentear o esposo com um relicário contendo uma mecha de seu cabelo ou um pequeno retrato, que ele deveria usar em torno do pescoço.<br />
• Nas grandes propriedades e nas casas de campo o corpo de um falecido era velado em casa. Enquanto houvesse um morto na residência, a família não se reuniria à mesa para as refeições, sendo elas feitas no quarto de cada um.<br />
• O luto das viúvas durava dois anos, e dos viúvos, a metade. Neste período eles não podem freqüentar jantares, teatros ou qualquer outro local/evento consagrado ao prazer e à diversão. Durante as seis primeiras semanas eles sequer podem sair de casa e só os amigos mais íntimos são recebidos.<br />
• Um cavalheiro não deveria jamais tirar seu paletó na presença de uma dama. Isso tinha fins bastante práticos, afinal eles não tomavam banho, naquela época, com a mesma freqüência de hoje.<br />
• Intestino de animais serviu como uma versão primitiva do preservativo, e por muito tempo acreditou-se que o sexo feito em pé diminuía as chances de gravidez.<br />
<strong><br />
E deixo algumas perguntas para vocês discutirem nos comentários: Qual a opinião de vocês sobre este constante conselho, &#8220;escreva sobre o que você conhece&#8221;, como vocês costumam reagir a ele e de que forma buscam saber mais sobre o universo no qual escrevem?</strong></p>
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		<title>[Desafio II] Um convite a vossos mundos</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Sep 2011 06:06:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jess</dc:creator>
				<category><![CDATA[Desafios]]></category>

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		<description><![CDATA[Lá eu estava, tranquilamente desfrutando de meu ócio criativo (que é constante), quando Jade me fez um convite super indecente: criar um novo desafio para o WB. Assim como o primeiro, proposto por nossos estimados companheiros senhor Blue e senhorita Harbaud, o segundo desafio nos convida a compartilhar um pouco mais de nossos mundos, mas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify">Lá eu estava, tranquilamente desfrutando de meu ócio criativo (que é constante), quando Jade me fez um convite super indecente: criar um novo desafio para o WB. Assim como o primeiro, proposto por nossos estimados companheiros senhor Blue e senhorita Harbaud, o segundo desafio nos convida a compartilhar um pouco mais de nossos mundos, mas não apenas o imaginário. De qual forma? É bem simples e, espero sinceramente, divertido. Para nós que estamos constantemente envolvidos com processos criativos e arte em geral, por que não mesclar um pouco de algumas coisas? Tenho passado algum tempo em sites de fotografias e, confesso, foi isso o que me inspirou para esse desafio em particular.</p>
<p style="text-align: center"><img class="aligncenter" src="http://data.whicdn.com/images/14191852/tumblr_lqfwu6hcrA1qegh7mo1_500_large.jpg" alt="" width="257" height="161" /></p>
<p style="text-align: center"><strong>Desafio II</strong></p>
<p style="text-align: center">Pequena narração<strong> ilustrada</strong>.</p>
<p><em>Como assim ilustrada?</em></p>
<p><strong>Instruções:</strong></p>
<p style="text-align: justify">- A narração é livre, pode conter ou não diálogos, pode trazer ou não (melhor que sim) os personagens do projeto como principais.</p>
<p style="text-align: justify">- As ilustrações devem ser feitas através de fotografias de nossa autoria que expliquem direta ou indiretamente o que pretendem representar (dentro da narrativa em questão).</p>
<p><strong>Regras:</strong></p>
<p>- Mínimo de 3 ilustrações, máximo de 7.</p>
<p>- Mínimo de 1 lauda, máximo de 2.</p>
<p style="text-align: right"><em>Boa sorte!</em></p>
]]></content:encoded>
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		<title>A Estrada da Reitoria</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Aug 2011 23:23:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jade Arbo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Capítulos]]></category>
		<category><![CDATA[Textos]]></category>

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		<description><![CDATA[Compartilho com vocês o trecho inicial do que eu espero que siga sendo meu primeiro capítulo. A Estrada da Reitoria consistia-se de um longo trajeto enlameado, cortando o campo de Leicester até uma das únicas cidades ferroviárias da região. Parecia estender-se pelo dobro da distância que de fato possuía, pois eram muitos os obstáculos que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Compartilho com vocês o trecho inicial do que eu espero que siga sendo meu primeiro capítulo.<span id="more-600"></span></p>
<blockquote><p>A Estrada da Reitoria consistia-se de um longo trajeto enlameado, cortando o campo de Leicester até uma das únicas cidades ferroviárias da região. Parecia estender-se pelo dobro da distância que de fato possuía, pois eram muitos os obstáculos que se interpunham aos pobres cavalos obrigados a enveredar por aquelas trilhas.<br />
Escondida dos olhos dos homens pelo relevo tortuoso que a cercava e dos olhos de Deus pelo domo de folhas verdes que a cobria, seu solo tinha a estranha característica de estar sempre úmido e escorregadio, por mais seca que fosse a estação, e de engolir as rodas dos coches que passavam apressados. Como a flora não fazia qualquer questão de obedecer às delimitações da estrada, avançava por ela sem cerimônia, por vezes cobrindo-a completamente. Não era raro que um cocheiro, tendo saído de Leicester, se flagrasse avistando-a outra vez no horizonte, ou perdido entre a mata esparsa a leste, perguntando-se a que ponto exatamente a trilha havia sido apagada.<br />
Estas características, que tão bem haviam servido aos outrora sorrateiros propósitos daquele percurso, hoje o tornavam pouquíssimo freqüentado. Tendo ouvido as histórias sobre os acidentes que ali aconteciam e os acidentados que ali permaneciam por horas até que viva alma resolvesse aparecer, cocheiros e cavaleiros o evitavam, optando pelo caminho mais longo se o seu destino fosse Leicester, a cidade ferroviária ou qualquer destas localizações extremas do condado &#8211; tanto era esse o caso que há muito os ciganos e salteadores haviam, igualmente, debandado em busca de áreas mais generosas para com os seus negócios.<br />
Havia casos, no entanto, em que o destino não era sequer Leicester, a cidade ferroviária ou qualquer localização extrema do condado: Se o destino do viajante fosse Templeton – o que, para a felicidade dos guias, raramente era o caso – então a Estrada da Reitoria seria o único caminho a se seguir.<br />
Era tendo todos os fatos supracitados em mente que Mr. Jarvis, o cocheiro, segurava as rédeas com toda a cautela, mantendo os olhos enrugados fixos no caminho a sua frente. Guiava os cavalos com maestria apesar de o peso do total de seis passageiros – e meio, se fosse o caso contar a criança –, com suas respectivas bagagens, fazer com que os animais patinassem pelo solo cujo lamaçal se tornara quase impossível de ser atravessado após a última semana de chuva.<br />
- Que bonito caminho, este. – Comentou a criada, que vinha sentada do lado de fora. Jovem, ruiva e salpicada de sardas, estava abraçada em sua caixa de madeira e olhava para cima, admirando o serpentear dos galhos a se entrelaçarem sobre eles, bloqueando qualquer raio de sol que pudesse ter sido poupado pelas nuvens cinza-chumbo daquele início de outubro. A resposta de Mr. Jarvis veio em forma de um bufar, mostrando-se pouco disposto a enxergar a beleza do que quer que fosse naquele momento.
</p></blockquote>
<p>Estamos quase chegando em Templeton. Espero que não demore muito mais!</p>
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